domingo, 20 de outubro de 2013

100 anos de Vinicius, também baiano

  • Cau Gomez | Editoria de Arte | A TARDE
    Vinícius de Moraes
No dia de hoje, Vinicius de Moraes estaria completando cem anos de vida. É data que não pode ser ignorada na Bahia, porque, embora nascido no Rio, viveu em Salvador uma fase fecunda e celebrou em músicas admiráveis seu amor pela nossa terra e nossa cultura. Ousaria mesmo dizer que, ao lado do Hino ao Senhor do Bonfim e do Hino ao Dois de Julho, a canção Tarde em Itapuã é uma das principais celebrações cívicas da nossa terra.
Nenhum artista foi mais inspirado pela Bahia do que Dorival Caymmi, nenhum soube traduzir como ele a musicalidade da nossa gente. Entre os que estão em atividade não há um sequer que chegue a seus pés, por mais que gozem dos favores da mídia e sejam hábeis em se promover. A longa amizade com Caymmi fez de Vinicius um admirador e cultor dos ritmos da nossa terra. Eis por que nosso cancioneiro tanto deve à devoção de ambos, devoção hoje negligenciada pelos nomes da nossa música que se aproveitam da Bahia, mas a deixam ausente das suas criações.

domingo, 3 de junho de 2012

DOMINGO NO PARQUE E OS CIDADÃOS DE PAPEL

"Montagem de Grupo de teatro homenageia Gilberto Gil, com sua composição “Domingo no Parque”.
Nos 70 anos de Gilberto Gil, algumas comemorações e homenagens acontecem em todo o país. Ele foi um dos principais integrantes do tropicalismo, movimento das décadas de 60 e 70, tendo papel fundamental na modernização da música brasileira. É bem verdade que o artista mereça qualquer expressão de gratidão e reconhecimento por toda a sua contribuição dada a Música Popular Brasileira, mas, nenhuma delas é tão valorosa como a do grupo da C&A DE TEATRO CIDADÃO DE PAPEL.


Baseada na música “Domingo no Parque” lançada em 1967, a peça através de uma narrativa instigante e interessante conta a história de dois amigos, João e José, que disputam o amor de Juliana. Os atores apropriam-se muito bem de figuras de linguagem em suas encenações, marca sempre presente na obra do compositor e ex-ministro de cultura, Gilberto Gil.


A peça, em sua segunda temporada de apresentações está em cartaz no Teatro Xisto Bahia até o dia 15 de junho de 2012 às 20h. A montagem "Domingo no Parque" conta com a direção de Marcos Oliveira, e atuação dos atores: Leandro Rocha, Marly Souza e Pedro Albuquerque integrantes da própria companhia. Os três destacam-se pela encenação cômica e dramática, espontânea e expressiva, e certamente, vieram para marcar o cenário do teatro na Bahia. As condições são propicias, principalmente, pelas apresentações anteciparem o “Concerto de Cordas & Maquinas de ritmos” de Gilberto Gil no TCA.

Vale a pena conferir, emocionar-se e prestigiar o trabalho riquíssimo desse grupo competente e profissional, que vem arrancando aplausos de todos que assistem a esta montagem.
Texto e fotos: Ana Carla Nunes (acnpereira@hotmail.com) e Cidilan Silva (sepluganomundo@gmail.com)
Contatos da CIA Cidadão de Papel: http://espetaculodomingonoparque.blogspot.com/

quinta-feira, 8 de março de 2012

HOMENAGEM AS MULHERES!!

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Nesta data especial, Dia Internacional da Mulher, nada melhor do que um poema de Conceição Evaristo
(
publicado no livro Cadernos Negros Melhores Poemas)

segunda-feira, 5 de março de 2012

A CARNAVALIZAÇÃO NA OBRA DE JORGE AMADO


A carnavalização na obra de Jorge Amado

Por Gildeci Leite*

Quem quiser pensar que o livro O País do Carnaval, de Jorge Amado, é uma exaltação à festa, pode até pensar, mas é preciso falar sobre o equívoco deste pensamento. Guardadas as diversas possibilidades de outras classificações da obra amadiana (um dia concluirei a minha proposta), lembro da divisão feita pelo antropólogo Roberto DaMatta.

sexta-feira, 2 de março de 2012

O arriar das cordas e um possível novo cenário do carnaval-negócio



Foliões aproveitam Carnaval de Salvador
(Raoni Libório /Especial para o Terra)

Por Paulo Miguez
As cordas, ou melhor, o arriar das cordas, foi o hit do carnaval baiano de 2012. Em artigos, editoriais, declarações, entrevistas e conversas de fim de festa, artistas, empresários da festa, jornalistas, foliões, políticos e dirigentes de órgãos públicos saudaram, empolgados, com argumentos nem sempre coincidentes, o arriar das cordas protagonizado por algumas das estrelas da música carnavalesca baiana.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

IMPACTO SONORO E UMA HOMENAGEM À REPÚBLICA DE MALY


Surgido na década de 80, por influência dos diplomatas de Amaralina, o bloco que na época era conhecido por Afro Mali, teve seu período de ascensão, alegria e reconhecimento da comunidade de Amaralina e entorno.

domingo, 20 de novembro de 2011

Cinzas de Abdias Nascimento são devolvidas ao solo sagrado do Quilombo dos Palmares

O dia 20 de Novembro, data tão significativa para as discussões étnicas-raciais, não poderia passar em branco em nosso blog.

Por este motivo, registramos aqui nossa homenagem á todos os Afrodescendetes, revivendo um momento magno, e de extrema importância  para a cultura nacional.


terça-feira, 15 de novembro de 2011

FESTA DA BOA MORTE

Curtíssima metragem sobre a Irmandade da Boa Morte, da cidade de Cachoeira. Elaborado para a disciplina de Semiótica do 3º semestre do curso de Publicidade e Propaganda da FIB.

domingo, 7 de novembro de 2010

TARDE EM ITAPUÃ



TARDE EM ITAPUÃ

Um dos bairros mais tradicionais da cidade de Salvador, Itapuã começou com os índios e da habitação tupi surge seu batismo: ita e apuá, que significa pedra de ponta. Datado do século XVI, Gabriel Soares de Souza o registrou em 1587: "Essa ponta é a que na carta de marear chama-se os Lençóis de Areia, por onde se conhece a entrada da Bahia".

O bairro, a princípio povoado pelos indígenas, foi descoberto posteriormente pelos pescadores, que fizeram do espaço seu reduto de trabalho, moradia e lazer. Nada mais natural, afinal Itapuã é geograficamente uma ponta, e isso significa que é cercado de água por quase todos os lados, com enseadas, o que favorecia a pesca de diversos tipos de peixes, mariscos e crustáceos.

No passado o bairro foi cantado para o mundo inteiro através dos versos de Caymmi e Vinícius de Morais, que traduziram perfeitamente o espírito do bairro nas canções. Jorge Amado, Anísio Felix, Clarival Prado e outros tantos nomes ajudaram a imortalizar sua beleza e seu bucolismo através da literatura e de versos e poesias que descrevem toda a tranqüilidade e a beleza do lugar, consolidando-o como um atrativo turístico em potencial por possuir toda uma infra-estrutura adequada de serviços, favorável à prática da atividade turística no espaço.


A parte mais antiga da praia é a que beira o calçadão, onde se encontra a Sereia de Itapuã. A região ainda conta com o bairro Metropolitano do Abaeté, situado dentro de uma área de proteção ambiental, com cerca de 12 mil metros, e onde se encontra a Lagoa do Abaeté, famosa por suas dunas de areias brancas e uma vegetação extremamente rica, palco de personagens significativos como as lavadeiras do Abaeté, as ganhadeiras de Itapuã, e de lendas e mitos que povoam o imaginário popular.



Além das belezas naturais e históricas como o Farol de Itapuã (datado do século XX) e erguido para proteger a Cidade de possíveis invasões) é celebrada no bairro a tradicional Festa de Itapuã, a Lavagem da igreja de Nossa Senhora de Itapuã, manifestação religiosa do candomblé, com baianas, pescadores e o povo participando da missa, procissão anunciada pelo Bando anunciador, e a lavagem das escadarias, unindo o sagrado e o profano, como é típico em nossas festas populares.


A criação recente da Praça Vinicius de Morais foi uma maneira de modernizar o bairro, resgatar a memória do poeta e da poesia, e possibilitar que a cultura seja preservada num lugar tão belo e ao mesmo tempo simples quanto Itapuã.

Visitar Itapuã significa resgatar toda a historicidade da Bahia; divulgar sua história é permitir a dinamização dos seus espaços para prática do turismo sustentável, incluindo sua comunidade por meio de cursos de capacitação e sensibilização, visando assim a minimizar os impactos negativos que a inclusão do turismo às vezes traz e multiplicando os impactos positivos aduzidos por ela no local, gerando renda, emprego e sobretudo imortalizando a memória de um bairro de extrema importância para compreendermos a formação histórica e cultural de nosso Estado. Visitar Itapuã também contextualiza a lendária Tarde em Itapuã. e leva a vivenciar na prática os versos de Toquinho e Vinicus retratados na canção.

Textos e Fotos: Ana Carla Nunes (acnpereira@hotmail.com)
Revisão Textual: Bárbara Ferreira (www.brasildiversificado.blogspot.com)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A TRADIÇÃO PORTUGUESA NA FESTA DO DIVINO

A Festa do Divino tem sua origem no catolicismo, quando é celebrada a descida do Espírito Santo sobre a Virgem Maria e os apóstolos e a reunião desse grupo no cenáculo, marcando assim o nascimento da Igreja. O dia de Pentecostes é, segundo a tradição, o ápice da festa que simboliza o encontro do Espírito Santo com a Virgem Maria e os apóstolos no cenáculo, que configura, conforme mencionado, o marco da fundação do Catolicismo.



A Festa do Divino é de origem alemã e a devoção foi introduzida em Portugal por Santa Isabel, “A Rainha do Milagre das Rosas”, em 1321, tendo sido trazida para o Brasil no século XVIII devido à interferência dos açorianos que aqui viveram. Por haver sofrido algumas modificações, a tradição continua viva, mas sem o brilhantismo antigo, tornando-se uma expressiva comemoração popular que reúne o sagrado e profano e é festejada nas mais diversas localidades do país, destacando-se as celebrações de Pirenópolis, no interior de Goiás, e de Paraty, no Rio de Janeiro. O fluxo turístico aumenta em períodos desses festejos nas regiões supracitadas e também na Bahia, mais precisamente em Salvador, no bairro do Santo Antônio Além do Carmo, onde a Festa do Divino tem grande representação, conforme define Viana (1983): [1]“No domingo de Pentecostes celebra-se, na matriz de Santo Antônio Além do Carmo, a festa do Divino Espírito Santo. É uma tradição que nos veio de Portugal, onde foi iniciada por Santa Isabel, a rainha dos milagres das Rosas”. (p. 33)


A Festa do Divino é considerada uma festa de união, alegria, agradecimento, pagamento de promessas, e apresenta um caráter social muito forte, que é representado com a soltura de presos, como define Hildegardes Viana (1983) “A festa tinha um sentido humanitário, com distribuição de viveres aos necessitados e soltura de indivíduos presos por dívidas, mas sem culpa formada, pagando a quantia sem requerer ao Ministro” (p. 33). Por este motivo, ela é considerada ainda hoje uma das comemorações mais antigas do Brasil.

A dimensão geográfica da festa abarca parte dos Estados Brasileiros e os festejos recebem características distintas e peculiares em cada local, porém mantêm-se os elementos significantes da tradição, dentre eles a pomba branca, a distribuição de esmolas e a coroação do imperador.

A festa de cunho religioso ocorre, como já foi dito, na Cidade de Salvador, quarenta dias após o Domingo de Pentecostes, após a Páscoa, na Paróquia de Santo Antônio Além do Carmo, mantendo uma tradição de mais de 200 anos, com missas matinais seguidas de festejos populares.

Dessa forma os membros da Irmandade do Divino Espírito Santo (que tem sua base na tradição trazida pela expansão destas Instituições, através da devoção ao Divino tendo encontrado solo fértil para florescer nas colônias portuguesas, especialmente no arquipélago dos Açores. De lá, espalhou-se para outras áreas colonizadas por açorianos, como a Nova Inglaterra, nos Estados Unidos da América, e diversas partes do Brasil.) saíam às ruas para recolher esmolas para a Festa, levando consigo quatro meninos vestidos de branco, um dos quais carregava a bandeira do Divino enquanto os outros tocavam tambor e pandeiro. Novamente recorremos a Viana (1983), que define: “Saía uma folia aos domingos, pelas diversas freguesias, entre cantoria e muitas bulhas, à cata de donativos. Existia a “casa do Império”, onde o “Imperador do Espírito Santo”, homem adulto, dava audiência aos necessitados.” (p. 33)

No dia da festa, a Irmandade levava às ruas uma criança, que passou a substituir a figura do homem, por melhor representar a figura santa e pura do divino, e essa criança simbolizava o Imperador que, acompanhado de seu séquito, passava pelas prisões e soltava alguns presos condenados.

O julgamento desses presos era feito pela Vara de Execuções Penais, seguindo alguns critérios necessários a sua soltura. Depois eles se dirigiam às igrejas locais, onde eram recebidos pelo vigário e conduzidos à Igreja do Carmo. Lá o Imperador dava início ao procedimento que visava à soltura dos presos, conforme esclarece Viana (1983): “O pequeno Imperador, eleito todos os anos, comparece à missa cantada, vestido a caráter. Após o cerimonial costumeiro, solta presos já previamente liberados pela justiça.” (p. 93)

Era tradicional a solenidade na Casa de detenção, instalada na velha fortaleza de Santo Antônio Além do Carmo; com a transferência da Casa de detenção para outro local, essa solenidade foi modificada e passou a acontecer dentro da própria Igreja do Santo Antônio Além do Carmo. Após a soltura dos presos, ocorria um cortejo pelas ruas do bairro, considerado uma dos mais antigos da Capital baiana, porque sua origem data desde a fundação do município, na época subdivididos por Freguesias.
 
Hoje, além de vestir e coroar o Imperador, que é um menino da própria comunidade, a Irmandade do Divino Espírito Santo organiza a Festa, a libertação dos presos e fornece-lhes uma ajuda de custo a fim de que possam recomeçar a vida. Cabe também a esta Irmandade legar a tradição da Festa do Divino às novas gerações e garantir que a religiosidade e os valores de amor e fé possam expandir-se sobre os fiéis.


Uma análise da Festa é feita por Geraldo Leal, escritor e morador do bairro Santo Antônio Além do Carmo, que relembra com saudosismo:


A festa promovida pela Irmandade do Divino Espírito Santo, da igreja de Santo Antônio Além do Carmo, era um acontecimento da cidade. Desde remotos tempos coloniais mantém-se esta tradição portuguesa para celebrar o império do Divino Espírito Santo, ou mais popularmente conhecido como divino. O ponto alto da festa é ainda hoje a cada ano a escolha de uma criança, filha de uma família do bairro, que é coroada como Imperador do divino. Uma das missões do Imperador é libertar um preso na casa de Detenção, que antes funcionava no Forte de Santo Antonio; ter um filho imperador era um feito muito honroso. (LEAL, 1999, p. 47).

À noite é realizada, conforme determina a tradição, a Benção do Santíssimo Sacramento (é um ritual religioso que ocorre no decorrer dos festejos e consiste no ajoelhar do Sacerdote, diante do Santíssimo Sacramento em adoração, para que o mesmo peça a abenção ao Santíssimo Sacramento.)
A libertação de presos representa um estímulo para que as pessoas que cometeram um delito voltem à sociedade com valores de igualdade, responsabilidade e justiça e sobretudo que possam reintegrar-se para manter uma vida digna, como a determinada pelo Divino Espírito Santo.


Texto e Fotos Ana Carla Nunes (acnpereira@hotmail.com)
Revisão Textual: Bárbara Ferreira



LEITURAS A SEREM CONSULTADAS:


VIANNA, Hildegardes. Festas de Santos e Santos festejados. Bahia: Progresso, 1960.

______. Calendário de festas populares da Cidade do Salvador.  Salvador: EGBA, 1983. 43 p. Publicação da Prefeitura Municipal do Salvador.

OLIVEIRA, Waldir Freitas. Santos e Festas de Santos na Bahia. Secretaria de Cultura e Turismo - Conselho Estadual de Cultura, 2005.

MISSA do Carmo lembra tradição de pentecostes. A Tarde, Salvador, 16 maio 2005.  Caderno Local,  p.04

LEAL, Geraldo da Costa. Salvador dos contos, cantos e encantos. Salvador: Gráfica Santa Helena, 2000.

CATÓLICOS participam d festa de pentecostes.  Correio da Bahia, Salvador, 04 jun. 2006.  Cad. Aqui Salvador


[1] VIANNA, Hildegardes. Festas de Santos e Santos festejados. Bahia: Progresso, 1960.

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